terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ANIVERSÁRIO DE BELO HORIZONTE

Seguimos por um trajeto longo. Combinamos ida e volta.
 Eu e o taxista conversamos muito. 
Não me lembro do seu nome, também não lhe disse o meu. Mas que importância tem?
Falamos do trânsito, do aniversário da cidade, de salário, do país dos políticos...
Depois fomos ficando mais a vontade e partimos para assuntos mais pessoais: família, casamento, filhos, idade, morte e vida. Tudo de maneira suave com intervalos para boas risadas.
Não falamos de religião, nem de partido político.
Terminado o trajeto eu ouvi:
"Foi a melhor corrida que fiz hoje e não foi pelo dinheiro".
A minha cidade, onde nasci e vivo, completa hoje 120 anos. Está em festa! Apesar de ter lá as suas dificuldades. Mas quem não as tem?
O presente do dia quem ganhou fui eu. Melhor não poderia ser, para quem, como eu, gosta de uma boa prosa.
Afinal, sou mineira, uai!

Joyce Pianchão

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

EU HOJE

Eu resolvi então sair do conforto do meu sofá e movimentar a vida.
De repente eu senti que eu estava ali assentada esperando as coisas se resolverem. Fui ficando.
Acordei num dia de chuva, calcei o tênis e fui caminhar. Voltei com a roupa molhada e a alma lavada. A intenção é todos os dias caminhar por 30 minutos. Estou pensando também em subir as escadas do prédio onde moro. Pensando...
Cansada de ler, curtir e compartilhar somente, resolvi fazer um curso. Sem sair de casa, em frente ao computador, eu me vejo deliciosamente estudando novamente. E assim começam os planos, novas aspirações. As ideias se movimentam.
Olhei para meu corpo e resolvi fechar a boca para aquelas coisas deliciosas. Comer mais frutas, verduras e legumes. Tomar água! Muita água! Para limpar o corpo e ativar os bons pensamentos.

Estou assim hoje, numa sexta-feira de dezembro.
 Afinal, eu não gosto de ser igual e pensar vida nova no início de ano, numa segunda-feira.

Joyce Pianchão

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

NOVO DEZEMBRO





Dezembro pode ser o fim. Fim de ano, fim de um ano de estudo, fim de trabalho e outros fins. Eu desejo dar alguns fins...

Dezembro pode também ser o perfume de um começo que se anuncia. Novo ano, novos planos e que venham mais novidades por aí. Desejá-las já é um bom começo. Desejar, planejar, sonhar, é recomeço de vida.

Recomeçar é dar novas chances a nós mesmos.

Quando chega dezembro eu abro a minha agenda do ano seguinte, arrumo gavetas, arrumo desejos, planejo vida.

Penso também que pode ser fim de vida. Se for, eu organizo meus papéis, minhas anotações, dou roupas e objetos.

Não é tristeza, não é desistência, é ser gente. Gente para ser começo ou fim.

O meu novo tempo me faz mais franca comigo mesma. Não gosto de fim de ano, não é de agora. Tem algo de triste. Mas eu passo por ele. De fim de ano gosto das frutas, das castanhas, da lembrança de pessoas queridas. Não gosto da euforia das pessoas correndo pra comprar presentes. A caridade de fim de ano me aborrece. Gente precisa de atenção, comida e dignidade o ano todo, a vida toda.

Vou morrer sem entender a vida. Não entendo a chuva na casa do pobre.

Mas me dizem que tudo tem razão de ser e acontecer.

Eu sou de bem com a vida. Eu sorrio. Eu amo. Eu me perdoo. Eu gosto de gente.

Eu sou feliz apesar de não ser o tempo todo alegre e de bem com a vida.

Compreendo que a vida é ida. Estou no caminho.

Eu sou o novo dezembro a espera do novo ano.


Joyce Pianchão

terça-feira, 31 de outubro de 2017

NOVO NOVEMBRO

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Que os dias de novembro me permitam ler mais, escrever mais. Vivo bem assim.


Uma ilusão de tempo renovado? Que seja! Vive-se bem assim também.



Então eu me despeço de outubro. Lá se vai ele... No cabo da vassoura da bruxa ou no capuz vermelho do saci?

Será que vamos nos encontrar no ano que vem?

Despedidas feitas. Momento de saudar novembro, com cheirinho de fim de ano.

Tenho razões pessoais para entrar neste mês apreensiva. Como será?

Mas, que venha mais este tempo. Que eu possa vivê-lo bem. Bem disposta para fazer algumas coisas mais, coisas boas, coisas novas e felizes.

Algumas mudanças são dolorosas e necessárias. Desejo para mim libertação e vida nova.

Afinal, se eu não esperar coisas novas e felizes para mim, alguém verdadeiramente vai desejar? Ando meio desconfiada...

Não sou egoísta. Sei que eu estando feliz vou espalhar alegria por aí e é isto que eu quero. Só isto...



Joyce Pianchão



terça-feira, 17 de outubro de 2017

O VENTO DE HOJE



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O vento bate à janela, sacode as minhas plantas na varanda.
Espero que carregue pra longe o que me faz mal.
Por coincidência, se é que ela existe, terminei de ler "O vento que arrasa", de Selva Almada.
E assim, o vento passa, dilacerando o coração, agitando a mente em conflito. Convida a quem o sente na pele a regressar por lugares já vividos ou viver lugares desconhecidos.
Acontece assim na história e se faz assim em mim.

Joyce Pianchão

domingo, 1 de outubro de 2017

NOVO OUTUBRO

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Iniciei o mês de outubro terminando a leitura de mais um livro de Clarice Lispector:  

"(...) se o mundo não fosse humano eu me arranjaria sendo bicho. Por um instante então desprezo o lado humano da vida e experimento a silenciosa alma da vida animal. É bom, é verdadeiro, ela é a semente do que depois se torna humano" 
 Eu me arranjaria. página 404.

Já começo pensar assim, eu um bicho livre numa floresta distante ou quem sabe uma frondosa árvore, moradia dos bichos livres, também eu poderia ser. Olho muito para tudo que é livre, como o céu, o vento... Eu me pego olhando ao longe, procurando a liberdade, o silêncio, a pureza do ser.
Para continuar minha procura refugio-me na próxima leitura, ainda com Clarice Lispector "Crônicas para jovens de bichos e pessoas". 

Assim outubro me encontra, bicho acuado, mas com cheiro de liberdade, que não desiste da vida.

Joyce Pianchão


sábado, 30 de setembro de 2017

ANTES DE OUTUBRO...




Registrei os dias de setembro nas frases que nasceram de mim.

Ontem fui ao cinema e assisti: Até nunca mais! Eu também quero me despedir de fantasmas que me assombram.

Hoje calcei coragem e fui caminhar. É preciso ter bom condicionamento físico para resistir à preguiça, não olhar para cama ao acordar e lembrar que a vitamina D está lá fora me esperando.

A vida amanheceu linda no céu azul.

O vento me chamou e eu fui. Levei meus sentidos para caminhar.

Silêncio...
Silêncio é aquele momento que o barulho é só meu.

Tempo seco, sem chuva, mas o dia continua lindo! Eu em meio a uma tempestade escuto música.

Hoje regressa. Para quem espera parece bagagem que volta de viagem: sentimentos que não cabem no peito, desorganização total.

Domingo é pausa para descanso, amanhã continuo a escrever a minha vida...

A segunda-feira já começou me cansando... Mas também me alegrou com Alecrim, presente de amiga.

Sabe aqueles dias mansos? Foi assim hoje.

Tudo que fiz hoje foi para que amanhã tudo dê certo.

E então é assim... A vida são desafios. Venci o meu de hoje.

Hoje começou a primavera com meu desejo de sentir perfume de flor e de terra molhada.

Quando passamos por situação difícil, quando ela passa, retornamos à calma e olhamos o mesmo lugar com encantamento de tudo novo.

Coisa rara...

Recebi uma amiga em casa. Ela me trouxe flores e guloseimas. Conversamos a tarde toda.

Hoje o dia amanheceu preguiçoso, silencioso, calmo, gostoso... Sei que é temporário, mas deixe-o dormir um pouco mais.

A mãe assopra o machucado: "Vai passar". Olho para a minha tristeza: "Vai passar".

Ontem à noite eu assisti a uma partida de futebol. Enquanto torcia me esquecia dos meus enfrentamentos. Como é bom dar uma pausa!

Noite com chuva. Ela chegou nas minhas plantas, no meu chão. Lava meus sentimentos...

Depois da chuva veio o dia quente. O vento apaziguou a manhã e a mim também...

Joyce Pianchão